“O psicólogo na escola seria um elo entre o mundo acadêmico e o sistema escolar”

 Uma constante discussão

Se existe uma dúvida que “paira no ar” no que diz respeito ao campo da Psicologia – a começar de nós profissionais da área – é a do papel do psicólogo no ambiente escolar!

Não é raro e nem limitado o campo de pesquisas a respeito desta temática justamente por conta da complexidade e especificidades a que essa atuação está sujeita…

Aí a gente se pergunta?

O que, de fato, um psicólogo na escola ajuda no ambiente escolar e qual a importância deste profissional nesse universo?

. Agente de mudanças

Uma das primeiras coisas a se destacar é que o psicólogo escolar precisa ser compreendido como um importante agente de mudanças no mundo escolar.

Por meio do relacionamento e intermediação dos diferentes grupos envolvidos (alunos, pais, professores e equipe técnica), ele conduz uma reflexão crítica sobre a instituição como um todo, incluindo o processo ensino-aprendizagem, a relação professor-aluno, as mudanças sociais e demais questões que surgirem ao longo do percurso.

Dessa maneira, o psicólogo desfoca a atenção depositada sobre o aluno (que muitas vezes é visto como a fonte de dificuldades ou o responsável pelas crises vividas – seja na escola ou na família), propiciando uma visão mais global e compreensiva desta crise e encontrando formas alternativas de enfrentá-la.

Segundo Reger (1989), o psicólogo escolar é um engenheiro educacional que usa das mais modernas metodologias e técnicas para cada criança, ou seja, ele dá mais ênfase ao crescimento e desenvolvimento da criança do que à ‘patologia’ em si.

O PAPEL DO PSICÓLOGO NA ESCOLA!

“O psicólogo escolar seria um elo entre o mundo acadêmico e o sistema escolar”.

Para Andaló (1984), o profissional assume o papel de agente de mudanças quando atua como um centralizador de reflexões e conscientizador dos papéis representados pelos vários grupos dentro da escola. Ele leva em consideração o meio social em que as relações estão inseridas, o tipo de público atendido e a visão de cada escola.

. Uma perspectiva “multiferrencial”

Estava demorando para vir um nome difícil aqui né? (risos), mas calma que essa é fácil de explicar!

A perspectiva multirreferencial se propõe a abordar os fenômenos relativos à educação estabelecendo um novo “olhar” sobre o ser humano.

A partir da junção de várias correntes teóricas, o psicólogo se vale de seus conhecimentos em sociologia, antropologia, psicanálise e etc., podendo expandir sua atuação e torná-la heterogênica (composta, variada).

Em outras palavras, essa abordagem abrange diferentes técnicas para que a atuação do psicólogo seja ampla e cheia de ferramentas!

. Ludoterapia

Uma das principais ferramentas utilizadas no ambiente escolar, sobretudo com o público infantil, é a Ludoterapia. Trata-se da psicoterapia adaptada para o tratamento infantil, onde a criança, brincando, projeta seu modo de ser.

O objetivo dessa modalidade de análise é ajudar a criança a expressar com maior facilidade os seus conflitos e dificuldades, ajudando-a encontrar soluções para que consiga uma melhor integração e adaptação social (tanto no âmbito da família como da sociedade em geral).

A maioria das crianças adere facilmente à Ludoterapia, adquirindo confiança suficiente para se expor, brincando livremente e se comunicando das formas mais interessantes.

Destina-se principalmente a crianças na faixa de três a onze anos de idade e pode ser aplicada individualmente ou em grupo, dependendo do problema a ser tratado. Os motivos são bastante diversos, predominando dificuldades de aprendizagem e distúrbios comportamentais, especialmente agressividade e comportamento antissocial.

. O lugar da escuta

“É através da “língua do outro” que apreendemos a falar. Temos que encontrar os fios de sua pré-história e os avatares de seu desejo por meio daquilo que ouvimos dele”.

Sem dúvidas o papel do psicólogo escolar também está diretamente ligado ao instrumento mais importante para essa profissão: a escuta!

Nesse sentido, o profissional deve criar espaços onde as vivências escolares possam ser ditas e escutadas – seja sob a perspectiva da família, da instituição, dos alunos e etc.

lugar da escuta possibilita ao psicólogo construir seu papel de acordo com as demandas daquela instituição, não sendo nada engessado ou mecânico. Dessa forma, os problemas vividos podem ser amplamente discutidos e a busca de soluções para os mesmos são compartilhadas com todos os envolvidos.

O psicólogo escolar não está ali para fazer um trabalho “mágico” e encontrar soluções instantâneas para os problemas da escola, mas sim para estabelecer estratégias e meios que possibilitem a resolução dos conflitos e crises, feitos sempre em conjunto.

“Infelizmente as expectativas depositadas sobre a atuação do psicólogo escolar ainda se estruturam no eixo doença x saúde, mas ela está muito além disso!”.

Quando a escola entende que o papel do psicólogo na escola é abrangente e dinâmico, ela dá oportunidades para o profissional ampliar o significado de sua prática. Isso possibilita que o psicólogo apresente novas perspectivas de intervenção e de compreensão daquela realidade.

Por Ana Carolina Guedes

CRP: 06/105813

. Referências

Andaló, C. S. A. (1984). O papel do psicólogo na escola. Psicologia, ciência e profissão. 1, 43-47.

Andaló, C. S. A. (1993) O psicólogo escolar na busca de uma identidade. Jornal do Conselho Federal de Psicologia. Ano VIII (34), 5

Ardoino, (1990, p. 40).

Ardoino, J. (1998). Abordagem multirreferencial (plural) das situações educativas e formativas. Em J. G. Barbosa (Coord.). Multirreferencialidade nas ciências e na educação (pp. 24-41). São Carlos: Editora da UFSCar, 1998.

Martins, J. B. (2000) Abordagem multirreferencial: contribuições epistemológicas e metodológicas para o estudo dos fenômenos educativos. Tese de Doutorado, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos.

Mariuza Pregnolato – http://mariuzapregnolato.com.br/ludoterapia-a-terapia-da-crianca/